On my feet I walk, with my legs I run,
In my arms I'll hold another day.
With my head I think, from my heart I sing,
With my hands to my face I pray...
Domingo, Dezembro 30, 2007
O amigo oculto...
Os Hazelnuts decidiram fazer um amigo oculto de enfeites de natal. Eu tive uma idéia muito bonitinha para mandar para a minha amiga oculta, só que envolvia encomendar coisas pela internet, depois empacotar de um jeito natalino e mandar pelo correio para ela.
A FedEx decidiu que ia me entregar a minha encomenda no dia que eu ia vir pro Brasil, de manhã. Pensei, tudo bem, dá tempo. Eu empacoto, vou no correio, depois vou a NYU entregar umas últimas coisas, volto para casa, e pego um taxi para o aeroporto.
Só que o cara da FedEx, nada de chegar. Na internet estava a previsão deles de 10:30 da manhã. Quando deu duas da tarde eu percebi que tinha que sair, porque ir a NYU e voltar pode levar duas horas facilmente, e eu tinha marcado o taxi para as 4.
Colei na porta do prédio, como é comum, um bilhete para o entregador, que dizia para entregar o meu pacote no apartamento do superintendente, que é o 1D. Até que dei sorte com o metrô indo e voltando de NYU, cheguei de volta às 3. Meu bilhete tinha desaparecido, e no lugar tinha um papel da FedEx, dizendo que tinham deixado meu pacote no apartamento 1H. Por que eu não sei, eu deixei instruções muito claras.
De qualquer forma, bati na porta do 1H, já tendo um mal pressentimento sobre quem mora ali. Mas ninguém abriu. Ai ai ai, pensei eu, e fui pra casa. Quinze minutos depois eu desci de novo e bati, ninguém abriu, mas tinha uma TV ligada lá dentro. Ai ai ai triplo, pensei eu, e fiquei batendo a campainha insistentemente. Nada. Subi de novo.
Dali a pouco me batem na porta e quem é? Quem, quem, quem? SIM, ninguém menos do que a velhinha do primeiro andar! Aquela que fica vagando pelo mundo de camisola! E ela estava de camisola, claro! Êeee!! Hmm. Abstraindo o fato de que eu tive que interagir com a velhinha do primeiro andar, fiquei feliz que o pacote chegou.
Abri, chequei que estava tudo bonitinho, empacotei numa caixinha embrulhada com papel pardo que nem o pessoal dos correios gosta, escrevi o endereço bonitinho.
Mas aí já estava na hora do taxi chegar, né. Não dava mais pra ir no correio.
Olha, pensando pra trás agora, haviam *muitas* maneiras pelas quais eu poderia ter resolvido o problema. Uma delas era pedir para o taxista passar no correio antes de ir pro aeroporto. Mas na minha cabeça, era tão óbvio, mas tão óbvio, que tinha um correio no aeroporto, que eu nem pensei.
Teve engarrafamento pro aeroporto, cheguei lá às 5, em vez de às 4:30 como eu tinha planejado. Tinha fila para o check-in, então fiz o meu às 5:45, em vez de às 5 como eu tinha planejado. Detalhe: meu vôo era às 6:35.
O meu check-in foi extremamente complicado. Olha, eu vou descrever os acontecimentos, mas não vai fazer justiça ao quanto eu estava atolada e destrambelhada. Primeiro eu não tinha impresso a passagem. A mulher interpretou que eu não tinha comprado uma e fez uma cara. Depois de alguns minutos ela conseguiu encontrar a minha reserva. Aí eu coloquei a mala grande na balança, e ela disse que estava muito pesada. Eu disse que eu imaginei que estaria, mas que a segunda mala era tão pequenininha. Ela pediu pra tirar alguma coisa e eu instantaneamente pensei em livro. Tirei. Mais, ela disse. Não tinha mais livros, então tirei uma caixa de plástico com CD's. Quase, ela disse, só mais um pouquinho. Hmmmm. Que tal isso aqui? OPA! Isso eu não posso levar na mão que tem uma tesoura de unha dentro. Volta. Que tal isso aqui? Não, muito leve. Que tal essa bolsa? AAAhhhh, deixa assim mesmo, a mulher disse, cansada daquela cena. Mas foi nessa hora que eu percebi que ela simpatizou comigo, sabe, e ficou com pena de mim e de todo o meu atolamento e destrambelhamento.
Foi a mala 1, foi a mala 2, vamos imprimir os cartões de embarque. Alguma coisa que eu não entendi deu errado com a impressora e ela teve que imprimir um deles de novo. Eu demorei um pouquinho para entender que eram três e cada um era para um trecho do vôo. (Olha, não foi bem assim - na verdade eu sabia disso, só não tinha percebido que um deles estava escondido atrás do outro - mas para ela, isso só aumentou a imagem de pessoa maluca ali com ela. Ela não estava zangada não, estava se divertindo. E eu também, para falar a verdade, só que eu estava com pressa.)
Ok, tudo pronto. Aí eu perguntei, será que você pode me dizer onde é o correio? Iiiiihhh... Diz ela, não tem correio aqui não.
COMO ASSIM????
Depois de um breve debate sobre como tinha um fora do aeroporto, mas que não dava tempo de eu ir e voltar porque estava em cima da hora do vôo, eu falei ahhhhhhhh!!! O que eu vou fazer? E ela, não sei... É um presente de natal, digo eu, tem que chegar lá antes do natal! (era dia 18.) Me dá uma idéia aí... O que será que eu posso fazer? E ela pensou, mas não saiu nada. Aí eu disse... Ai, será que você não colocava isso no correio para mim?
*A* mulher maluca, né. Mas tudo bem. Olha, nessa hora eu estava preparada para ouvir "não posso aceitar pacotes de pessoas estranhas por motivo de segurança". Mas a mulher estava com tanta pena de mim, que ela falou em vez, "É que, é que... eu tenho que ir pra Atlanta amanhã".
Olha a resposta da Juliana: "Não tem problema não, você pode mandar de Atlanta." Eu acho que qualquer pessoa com más intenções não falaria uma coisa tão maluca, né? Então ela aceitou. E eu deixei um dinheiro lá com ela pro correio e fui me embora.
Ainda saí andando pro lado errado e ela gritou, "é pro outro lado!" e eu girei e andei pro outro lado, agradecendo de novo.
Não parei nunca de me perguntar se ela ia mesmo colocar o troço no correio. Mas ontem de manhã minha amiga oculta acusou recebimento... UFA, que alívio! É claro que ela não sabe que fui eu porque a gente ainda não revelou os amigos ocultos, mas ela descreveu direitinho o que era.