On my feet I walk, with my legs I run,
In my arms I'll hold another day.
With my head I think, from my heart I sing,
With my hands to my face I pray...
Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Um dia desses eu tive uma revelação... Eu finalmente entendi por que todo mundo fala pra mim que as pessoas no Rio são mais simpáticas do que as pessoas em Nova York, e eu sinto exatamente o contrário.
É que quando as pessoas falam isso, elas estão falando do camelô, do padeiro, da caixa do supermercado, do motorista de ônibus. De fato, no Rio essas pessoas falam com você como se você fosse o amigão delas, enquanto em Nova York eles te tratam de uma forma mais fria e profissional, como se você fosse o cliente do serviço que eles estão prestando - coisa que você de fato é.
Já eu, quando falo que "as pessoas" em Nova York são mais simpáticas, estou falando de outras. Estou falando das pessoas normais, que a gente encontra na rua, os colegas, não aqueles que estão direta ou indiretamente trabalhando pra mim. As pessoas normais. No metrô, estou falando dos outros passageiros, não do condutor. No supermercado, estou falando das outras pessoas que estão comprando, não do caixa. Nem do faxineiro. No elevador, estou falando dos outros que estão indo a algum lugar, não estou falando do ascensorista.
Então, é isso. A disparidade existia porque na verdade nós nem sequer estávamos falando da mesma coisa. Se vai falar da simpatia do camelô, eu concordo, no Rio é maior. Mas se vai falar das pessoas aleatórias, eu bato o pé e mantenho, em Nova York (e talvez nos Estados Unidos em geral, mas eu não gosto de falar sem conhecimento de causa) as pessoas são dez mil vezes mais simpáticas.
Estava eu com a minha mãe e a minha avó no Rio Sul outro dia, e eu tentando tirar uma foto delas. Sim, apenas tentando, porque você sabe como é essa coisa, né, todo mundo andando no seu caminho, cada um na sua, sem olhar para os outros, imagina se alguém vai desviar 1 metro da linha reta "só" para não passar na frente de uma foto que alguém está tirando? Lá não. As pessoas não só desviam, elas param e esperam, isso quando não se oferecem, todas sorridentes, para bater a foto por você para que você possa sair na foto também.
Agora imagina se eu aqui vou ver alguém tirando uma foto e me oferecer para bater a foto dele em vez. Vai me olhar como se eu fosse no mínimo maluca, e provavelmente sair correndo com medo que eu lhe roube a câmera. Agora eu pergunto: isso é simpatia?